Israel e Síria concordam formar grupo de contacto sobre segurança e cooperação

Israel e Síria reuniram-se esta terça-feira em Paris ao mais alto nível, para voltar a debater a segurança mútua, ao abrigo de uma proposta norte-americana para promover a estabilidade e a cooperação económica na região, depois dos primeiros contactos de setembro terem redundado em fracasso.

Graça Andrade Ramos - RTP /
Israel reforça posições militares em duas aldeias do sul da Síria Bakr Al Kasem / Anadolu - Reuters

A iniciativa da Administração Trump contou com a participação em Paris do ministro dos Negócios Estrangeiros da Síria, Assad al-Shaybani.

De acordo com as autoridades sírias, a iniciativa supõe a suspensão imediata de  todas as atividades militares israelitas contra a Síria. À agência Reuters, as mesmas fontes declararam que a iniciativa é uma "oportunidade histórica" ​​para impulsionar as negociações entre a Síria e Israel de forma "positiva".
Israel confirmou o contacto e adiantou o interesse em avançar na cooperação económica com Damasco.

"O diálogo decorreu no âmbito da visão do presidente (Donald) Trump para promover a paz no Médio Oriente",  afirmou o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu em comunicado.

Durante as discussões, Israel "enfatizou a importância de garantir a segurança dos seus cidadãos e prevenir ameaças ao longo das suas fronteiras", referiu o texto.

"Israel reafirmou o seu compromisso com a promoção da estabilidade e segurança regional, bem como a necessidade de avançar na cooperação económica para o benefício de ambos os países", acrescentou o comunicado.

O departamento de Estado dos EUA afirmou que os dois países concordaram em formar um grupo sob supervisão dos Estados Unidos para compartilhar informações e procurar a desescalada militar no terreno.

Segundo um comunicado conjunto dos três países Síria e Israel estão comprometidos em "alcançar acordos de segurança e estabilidade duradouros para ambos os países".

O mesmo departamento elogiou as medidas positivas desta terça-feira e referiu que os Estados Unidos "continuam comprometidos em apoiar a implementação dos entendimentos acordados por Israel e autoridades sírias na reunião de Paris.
Países em guerra

Israel e Síria partilham uma fronteira [a norte de Israel e a sul da Síria] que há décadas é palco de combates, sobretudo em torno dos Montes Golan, uma área pequena mas crucial nos conflitos entre Israel e os seus vizinhos.

Em 1974, Síria e Israel assinaram um acordo de armistício sobre a ocupação israelita da zona, mas permaneceram tecnicamente em guerra. O acordo pretendia estabelecer uma zona desmilitarizada de 70 quilómetros entre os territórios controlados por ambos os países, patrulhada por forças da ONU como observadores.
Em dezembro de 1981, com Menachem Begin como primeiro-ministro, Israel decidiu unilateralmente anexar os Montes Golan. 

A comunidade internacional não reconheceu a anexação e mantém que a área é território sírio ocupado.

As novas autoridades islâmicas que tomaram o poder após a queda de Bashar al-Assad, em dezembro de 2024, iniciaram contactos de alto nível com Israel sob os auspícios dos Estados Unidos.

O último encontro entre as delegações ocorreu em setembro, mas as negociações não avançaram devido à insistência de Israel numa zona desmilitarizada no sul da Síria.
Retirada de Israel

Israel avançou mais recentemente sobre o sul da Síria sob pretexto de proteger as populações da zona, atacadas por forças paramilitares islamitas.

Realizou centenas de ataques aéreos, incursões na Síria e mobilizou tropas na zona desmilitarizada dos Montes Golan, para além da linha de demarcação entre a parte do território sírio anexada e o resto do país.

Em dezembro, o presidente sírio, Ahmad al-Sharaa, afirmou que a insistência de Israel em exigir a desmilitarização de toda a porção do território sírio que se estende desde o sul de Damasco até à linha de demarcação de 1974, estabelecida após a guerra israelo-árabe de 1973, estava a colocar a Síria numa "posição perigosa".

Em 5 novembro de 2025, na mais recente investida israelita na área, as Forças de Defesa de Israel foram fotografadas a reforçar as suas posições militares nas aldeias de Jubata al-Khashab e Samadaniyya na província de Quneitra, no sudoeste da Síria.

Esta terça-feira, fontes sírias familiarizadas com as negociações, referiram precisamente que será impossível avançar com 'arquivos estratégicos' com Israel sem um 'cronograma vinculativo e claro para a retirada completa' das tropas israelitas do país.

O governo israelita não comentou de imediato esta exigência síria.

com agências
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